quarta-feira, 27 de maio de 2015

Correr na terceira idade é garantia de mais saúde

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A gente sabe, porque já não é mais novidade, que o índice de idosos vem aumentando a cada ano, assim como a expectativa de vida dos brasileiros, que já passa dos 71 anos. Embora seja verdade que muitos desses idosos estejam chegando a essa idade com a saúde abalada e sem assistência médica adequada, uma boa parcela está dando a volta por cima trabalhando, continuando útil à sociedade e praticando atividade física.
Nas corridas rústicas esse fato é bem marcante na faixa etária acima dos 60 anos, que recebe cada  vez mais adeptos. E não é só isso. É a faixa etária que mais evolui os tempos na maioria das corridas mais importante do país tais como a própria São Silvestre. Dados colhidos na prova de 2006 deram conta que essa faixa etária diminuiu os tempos em três minutos para os homens e oito para as mulheres, comparando com os tempos da mesma prova e percurso de 1998. As outras faixas etárias da maioria dos adultos, percentualmente evoluíram muito pouco, assim como os próprios atletas de elite.


Entretanto, não se pode comemorar plenamente. Por conta desse crescimento de adeptos, as contusões e lesões também vêm aumentando, muito mais por falta de um treinamento adequado a essa faixa etária. Sabe-se que o tempo cobra o seu preço nas alterações biológicas com o desgaste normal das articulações, queda da força física e diminuição da massa muscular. Se o corredor mais velho sair correndo aleatoriamente vai quebrar com mais facilidade que o jovem adulto.

MENOS MÚSCULOS. É bem estabelecido que o avanço da idade induz à perda de massa muscular, num processo conhecido por sarcopenia, significando "perda de carne" (sarx = carne, penia = perda), cuja origem pode ser multifatorial, sendo a idade uma delas. Em bomportuguês de uma forma geral os músculos vão "secando". Perde-se massa muscular, sendo esse processo acelerado com o sedentarismo, vida irregular, estresse etc. Além disso, a própria corrida pode ser um fator de aceleração de perda de massa muscular na terceira idade, por conta do processo conhecido por catabolismo.

Por outro lado, sabe-se que corredores de longa distância também têm suas desordens musculares em função da própria corrida. Boa parte fica meio corcunda e têm força desequilibrada nos músculos da coxa, podendo ocasionar, por exemplo, desvio de patela. Não é raro fundista reclamar de dores nas costas principalmente na região lombar. Horas de treinamento levam o corredor a assumir postura inadequada. As costas ficam curvadas, os braços arriados e os joelhos flexionados em angulação abaixo do normal.

Nossas fibras musculares tem capacidade limitada de cicatrizações e, claro, quanto mais lesões ao longo do tempo, mais encurtados ficam os grupos musculares acometidos. Essa também é uma das razões da queda de performance mais ou menos acentuada de corredores mais velhos que tentam passar dos limites.

TRABALHOS DE FORÇA. Os tempos nas provas das pessoas acima de 60 anos estão melhorando justamente porque são eles os mais disciplinados e porque procuram seguir as orientações de seus treinadores ou a voz da experiência. Uma das soluções, como já conversamos em outras edições, é a prática da musculação conjugada com o treinamento da corrida. Já são bem estabelecidos os benefícios dessa atividade no processo de melhora da massa muscular em qualquer idade e/ou desaceleração da perda normal de músculos e força por conta da idade.

Trabalhos bem conduzidos mostram sexagenários adeptos à musculação com potencial de força física semelhante a adultos jovens e muito superiores a idosos sedentários. Para quem corre especialmente visando a qualidade de vida faz toda a diferença, percebida não só na corrida como nas atividades funcionais envolvendo força como, por exemplo, na ida ao supermercado. Na hora de carregar, embarcar e desembarcar as compras, quem apenas corre pode passar o maior sufoco. Aí, de que adianta ter um bom condicionamento cardiopulmonar, baixo percentual de gordura se na hora "agá" falta a força física?

TAMBÉM NA ACADEMIA. Nas academias o grupo etário que mais cresce e principalmente permanece por mais de seis meses é também dos idosos. Entre os jovens existe muito mais rotatividade por conta da característica de querer resultado rápido e, obviamente, não conseguem. Os mais velhos, com paciência ficam e se beneficiam dos resultados que aparecem mais devagar, mas aparecem.

Como geralmente os freqüentadores de academia acabam correndo na esteira por no mínimo meia hora, quando surge oportunidade de uma competição de 5 km eles se inscrevem e se dão muito bem. É o suficiente para pegar o gostinho de correr na rua e melhorar mais ainda.

Outro grande benefício dessa conjugação da corrida e musculação é que a corrida por si só melhora o sistema imunológico em qualquer idade. Para o idoso isso é mais importante ainda porque ao se manter ativo ele continua a produzir células que, além de estimular a produção de sangue novo na medula óssea, protegem o organismo contra as doenças viróticas oportunistas. Embora não esteja cientificamente provado, já se sabe que quem corre, ou pratica outro esporte, regularmente adoece menos.

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