domingo, 14 de agosto de 2011

Empresas apostam em corrida para aumentar produtividade

A corrida está se tornando uma ferramenta para prevenir o estresse e aumentar a produtividade em empresas. No próximo dia sete de agosto, acontece a primeira corrida entre empresas do país, a Corporate Run, no Joquey Clube de São Paulo. O evento conta com mais de 300 empresas inscritas e cerca de 1.500 participantes.

A analista comercial Carolina Preto, 23, já está treinando há dois meses para participar dessa competição. "Meus amigos da empresa já corriam e me convidaram", afirma ela, que já está na marca dos nove quilômetros.

"No começo não treinava por distância. O resultado estético e de saúde é muito rápido. A gente emagrece, fortalece os músculos e aumenta a capacidade respiratória e cardíaca. Me sinto mais disposta e, quanto mais corro, mais vontade tenho de correr. Quero ir além, ultrapassar meu limite", afirma.

O fisioterapeuta e professor de educação física Marcus Vinícius Gomes trabalha em uma clínica no Rio de Janeiro que utiliza a corrida especialmente para prevenção de estresse. Após a jornada de trabalho, um grupo de funcionários se encontra numa tenda na lagoa Rodrigo de Freitas e começa o treino.

"A empresa banca os exames de todo o pessoal, e cada um tem sua própria planilha de treino. A idéia das empresas é aumentar a produtividade e diminuir a visita dos funcionários ao médico", afirma o fisioterapeuta, que também trabalha com pessoas com depressão e síndrome do pânico.

"Muitas vezes atendo pacientes que estão saindo de uma internação. Para esse tipo de gente, trabalhamos com metas menores. A corrida aumenta muito a auto-estima. Dizem que a liberação de endorfina [neurotransmissor relacionado com a sensação de bem-estar] gera prazer", afirma Gomes.

Segundo o médico Paulo Zogaib, fisiologista do exercício da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em medicina esportiva, o exercício desencadeia a ação de dois tipos de endorfina: um de ação periférica, que age como analgésico e antiinflamatório naturais na musculatura e nos tendões; e outro de ação central, que produz um efeito relaxante, ansiolítico e antidepressivo.

A cardiologista Luciana de Matos, responsável pelo Ambulatório de Cardiologia do Exercício e Esporte do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que essa liberação de endorfina gera um "vício". "Depois que a pessoa começa a correr, não consegue ficar sem, quer abaixar tempo, se superar", afirma a médica.

A cardiologista acredita que o mais importante é saber qual é o objetivo da corrida. "Muitas vezes, tenho que diminuir o treinamento. A pessoa chega com queixa de cansaço porque treina de forma incompatível com a vida que leva no dia-a-dia", afirma. Segundo ela, quem está se exercitando só para conseguir uma manutenção da saúde não precisa treinar como um atleta. "Muitas vezes, a pessoa tolera treinar numa freqüência cardíaca muito alta. Isso não serve se o objetivo é melhorar a saúde", diz.

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